Poema
Claroescuro
Yêda Schmaltz
Sou o alvo.
Contra o veneno letal dessa serpente,
dose dupla de antídoto necessito.
Sou o alvo.
Se fosse ainda aquele barco,
balas se alojariam no meu casco.
Seriam os piratas
em treinamento de tiro?
Sou o alvo.
A noite engendra seus cactos
que vão se multiplicando
entre pedras, como os ásperos poemas.
Sou o alvo.
Clara fragata de vento,
clara fragata voando,
recifes de corais e sóis distribuindo:
sou a Alva.